O agronegócio brasileiro registrou números expressivos em 2025, com exportações na casa de US$ 169,2 bilhões e participação de quase 48,5% das vendas externas do país. O que se destaca, no entanto, é a transformação digital que já se consolidou como diferencial competitivo: 45% das empresas do setor utilizam Internet das Coisas (IoT) para supervisionar ativos à distância, ante uma média nacional de apenas 9%.
A gestão remota de ativos, através de sensores, conectividade e plataformas analíticas, permite que produtores e gestores monitorem clima, solo, silos e maquinário em tempo real. Uma simples checagem pelo celular pode indicar necessidade de irrigação ou de manutenção preventiva, gerando ganhos de eficiência entre 10% e 20% em até dois anos e convertendo dados em decisões rápidas que impactam milhões de dólares em um setor que movimenta centenas de bilhões na exportação.
Apesar do otimismo, o setor encara gargalos importantes de conectividade. A cobertura de rede 4G/5G saltou de 18,7% para 33,9% nas áreas agrícolas nos últimos dois anos, mas ainda dois terços do campo permanecem desconectados. Diante disso, soluções como redes mesh, conectividade via satélite e edge computing ganham protagonismo para manter a transmissão de dados entre campos remotos e centrais de análise.
A digitalização também amplia a superfície de ataque cibernético. Sensores, irrigações automatizadas e plataformas de gestão concentram dados sensíveis de produção e planejamento. Portanto, os executivos de TI precisam adotar estratégias de cibersegurança específicas para o campo: segmentação de rede, autenticação multifator, criptografia de dados em trânsito e repouso e planos de resposta a incidentes adaptados à realidade rural, incluindo a gestão de trabalhadores sazonais e de campo.
Por fim, a fragmentação de soluções representa um desafio para a adoção em larga escala. Plataformas integradas que conectem sensores, sistemas de gestão de estoque, irrigação e manutenção são vistas como o caminho para evitar silos de informação e facilitar decisões baseadas em dados consolidados. A capacitação contínua de equipes de agronomia e TI, aliada a parcerias com empresas especializadas, surge como requisito essencial para que o setor capitalize toda a sua vantagem tecnológica. O agronegócio brasileiro segue como motor da economia nacional, cada ponto de melhoria em eficiência valendo milhões de dólares em um mercado cada vez mais global.